Conservacionista dos trópicos

Nascido no oeste dos Estados Unidos, William Laurance foi criado por muitos anos longe de qualquer floresta – o que não o impediu de mais tarde se tornar um biólogo conservacionista, que de duas décadas para cá atuou na Amazônia, África Central, Austrália tropical e América Central.
Leia mais...
 

Consumidor Brasileiro é o segundo mais verde do Mundo

29/05/2009 - 23h05
Semana Nacional dos Alimentos Orgânicos

O consumidor brasileiro é segundo mais verde do mundo. Em recente pesquisa realizada pelo National Geographic Society e pela GlobeScan sobre escolhas alimentares e engajamento, o Brasil só perdeu para a Índia. A cor oficial da consciência ambiental pode ser percebida nas prateleiras do supermercado que, aos poucos, vêm ocupando mais espaço nos corredores principais. Há cinco anos, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) promove a Semana Nacional dos Alimentos Orgânicos, que este ano conta com a adesão de 24 estados. A programação é dividida em palestras, mostras, exposição e feiras. Entre os temas discutidos estão formulação de políticas públicas, certificação de produtos, pesquisas, experiências na produção animal e vegetal, além de sistema de produção de pecuária orgânica. 

Nesta quinta-feira (28), a boa notícia do evento verde é a assinatura de Instrução Normativa, que irá regulamentar o setor em três áreas: mecanismos de controle (certificação), processamento de produtos orgânicos e extrativismo. Segundo Marcelo Laurino - que preside a Comissão da Produção Orgânica de São Paulo e integra o MAPA – a medida viabiliza o acompanhamento da produção e do consumo de orgânicos. Através do Sisorg (Sistema de Avaliação de Conformidade Orgânica) será possível cadastrar agricultores, produtores e atividades produtivas. “A partir desse monitoramento poderemos mensurar o tamanho do segmento e as perspectivas para toda a cadeia produtiva”, explica Laurino. 

A lei que trata da produção de orgânicos no Brasil foi publicada em 2003. Somente em 2007, os produtos passaram a ter regra de produção, armazenamento, rotulagem, transporte, certificação, comercialização e fiscalização de produtos. E em 2008 começaram a ser publicadas as Instruções Normativas para assuntos específicos como Comissão Nacional de Produção Orgânica e a Regulamentação dos Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal. É o caso da que foi aprovada hoje. 

Para facilitar a vida dos consumidores, ao identificar um produto de qualidade, será lançado no primeiro semestre de 2010, o Selo do Sistema Brasileiro de Conformidade Orgânica. Para usá-lo, os produtores deverão se regularizar no Ministério da Agricultura, até o dia 28 de dezembro de 2009. Para os agricultores familiares serão fornecidas carteiras de identificação e cada um será responsável por verificar a qualidade dos alimentos orgânicos vendidos pelos “companheiros” em feiras e centrais de abastecimento. 

“A proposta da Semana dos Orgânicos é mostrar o significado mais amplo do consumo, que pode mudar o mundo. Concentramos energias para esclarecer a população”, afirma Laurino. Sete anos depois de a legislação normatizar a produção orgânica, é possível comprovar a mudança de hábito no comportamento do consumidor, nas políticas públicas e corporativas. O supermercado Wal-Mart, por exemplo, será parceiro em uma campanha publicitária pela redução do consumo de sacolas plásticas no país. Com o slogan “O saco é um saco”, a propaganda estréia em junho e é a primeira vez que o Ministério se associa ao setor privado neste tipo de ação. 

A repercussão na mídia de temas como preservação do meio ambiente, aquecimento global e sustentabilidade impulsionou o debate na sociedade, no governo e setor privado. Além do Wal-Mart, as redes Pão de Açúcar e Carrefour, que compõe os três maiores varejistas de supermercado do país, lideram as chamadas ações ecoeficientes. Entre as iniciativas estão sacolas retornáveis, reciclagem de lixo, maior exposição de produtos orgânicos e de artesãos, e a criação de linhas próprias. Há também projetos pilotos de lojas verdes, que poderão se espalhar pelo país nos próximos cinco anos. O diferencial é a tecnologia na construção como redução de consumo de água e energia, por exemplo. A comunicação também ganha novo enfoque com caráter educacional. 

Apenas na loja ecoeficiente do Wal-Mart, no bairro do Morumbi, em São Paulo, há 60 iniciativas consideradas sustentável, segundo a gerente de sustentabilidade Christiane Urioste. Outra estratégia dos varejistas é aumentar a oferta de produtos orgânicos, que encarece o preço final. O Pão de Açúcar, por exemplo, incentiva os fornecedores a melhorar a qualidade e eficiência dos processos. E o Carrefour irá lançar uma programação com fórum de consumo consciente, em parceria com o Instituto Akatu, na loja de Piracicaba (SP). 

No Rio de Janeiro, há cerca de 20 anos, o Sítio do Moinho, localizado em Itaipava, região serrana do Rio de Janeiro, produz e fornece alimentos orgânicos para restaurantes, lojas e delicatessens, além de atuar com entrega em domicílio. A proprietária Ângela Thompson conta que o consumidor carioca vem aderindo gradativamente aos produtos orgânicos, motivados pela saúde e bem estar. “Hoje nossa marca é reconhecida como sinônimo de orgânico e tem credibilidade”, diz Ângela. 

O foco do sítio é entrega em domicílio e apenas este mês de maio, já atendeu, aproximadamente, 357 consumidores orgânicos no Rio de Janeiro. Já os restaurantes da cidade somam, em média, 40, que utilizam os produtos do Sítio do Moinho. Desde 2004, a empresa inaugurou a panificadora orgânica Molino d´Oro, que fabrica pães italianos, pães de forma, integral, sem glúten e baguetes semi-assados. 

Em dezembro, a empresa inaugurou sua primeira loja, no Bairro do Leblon. E se aproximou ainda mais dos cariocas. Além da linha completa de produtos, a casa oferece almoço e café da manhã. “Percebemos que o cliente também se interessa em comprar direto na loja”, comenta Ângela, que oferece cartilhas e material educativa para instruir os consumidores. 

Nesta quinta-feira, em comemoração à Semana dos Orgânicos, o sítio recebeu mais de 57 crianças da escola municipal Darci Correa da Veiga, em Itaipava. As crianças receberam aula sobre alimentação orgânica, plantaram sementes e, ainda, levaram muda de manjericão para plantar em casa. De acordo com a proprietária, o preço ainda é o maior entrave para o aumento no consumo. Por isso, é necessário políticas públicas eficientes para otimizar a distribuição e reduzir o custo para o consumidor final. As Instruções Normativas visão conectar toda a cadeia produtiva. 

Até o dia 31 de maio, 24 estados terão programação especial para fomentar o consumo de alimentos orgânicos. Entretanto, é preciso democratizar o acesso e valorizar os produtores locais de cada região para que o ciclo terra-prato promova qualidade de vida, as economias locais, além de exaltar a diversidade alimentar. 

Equipe Malagueta 
Texto: Juliana Dias 
Revisão: Juliana Esteves e Viviana Navarro 
Fotos e edição de imagens: Carolina Amorim 

(Malagueta Comunicação) 
 

Bom, Limpo e Justo: Manifesto Slow Food para a Qualidade

11/05/2009 - 22h05
Os sistemas de produção e consumo de alimentos mais comuns nos dias de hoje são nocivos para o planeta Terra e seus ecossistemas, e para os seus habitantes. 

O sabor, a biodiversidade, a saúde de humanos e animais, o bem estar e a natureza estão sob ataque contínuo. Isto põe em risco o próprio desejo dos gastrônomos de comer e produzir alimentos e o exercício do direito ao prazer sem causar danos à existência dos outros e ao equilíbrio ambiental do planeta que vivemos. 

O poeta agricultor Wendel Berry diz que "comer é um ato agrário", segue-se que produzir alimentos deve ser considerado um "ato gastronômico". 
O consumidor orienta o mercado e a produção com suas escolhas e, aumentando sua consciência sobre estes processos, ele ou ela assumem um novo papel. O consumo se torna parte do ato produtivo e o consumidor se torna então um co-produtor. 

O produtor exerce um papel importante no processo, trabalhando para alcançar a qualidade, tornando sua experiência disponível e acolhendo os conhecimentos e saber-fazer dos outros. 

O esforço deve ser comum e deve ser feito com a mesma consciência e espírito interdisciplinar, como a ciência da gastronomia. 

Cada um de nós é chamado a praticar e disseminar um novo, mais preciso e ao mesmo tempo mais amplo conceito de qualidade do alimento, baseado em três pré-requisitos básicos e interconectados. A qualidade do alimento deve ser: 

1) Bom: o sabor e aroma do alimento, reconhecido por sentidos educados e bem treinados, é fruto da competência do produtor e da escolha de matérias primas e métodos de produção, que não devem de maneira nenhuma alterar sua naturalidade. 

2) Limpo: O ambiente tem que ser respeitado e práticas sustentáveis de agricultura, manejo animal, processamento, mercado e consumo devem ser levados em consideração. Cada estágio da cadeia de produção agro-industrial, incluindo o consumo, deve proteger os ecossistemas e a biodiversidade, salvaguardando a saúde do consumidor e do produtor. 

3) Justo: A justiça social deve ser buscada através da criação de condições de trabalho respeitosas ao homem e seus direitos e deve ser capaz de gerar remuneração adequada; através da busca de economias globais equilibradas; pela prática da simpatia e solidariedade; pelo respeito às diversidades culturais e tradições. 

Bom, Limpo e Justo é um apelo para um futuro melhor. 

Bom, Limpo e Justo é um ato de civilidade e uma ferramenta para melhorar o sistema alimentar de hoje. 

Todos podem contribuir para o Bom, Limpo e Justo através de suas escolhas e seu comportamento individual. 

(Slow Food http://www.slowfoodbrasil.com
 

JUSTA TRAMA: a cooperação em todos os elos da produção

27/04/2009 - 07h04

Elizabeth Horta Correa, Atibaia News 


No nordeste brasileiro, a modernização da agricultura destruiu o algodão arbóreo, uma planta perene que resistia à seca e integrava o sistema sustentável na lavoura do semi-árido, trazendo do sul temperado do país o algodão herbáceo. Modernizada apenas aparentemente, o alto consumo de fertilizantes químicos e venenos sintéticos foram subsidiados pelo crédito bancário, fortalecendo as estruturas coloniais de dependência na região. As sementes eram vendidas pelo governo do Estado e os demais insumos pelas transnacionais sediadas em São Paulo. 

Foi no contexto de migração, evasão da riqueza, desorganização social e dependência de políticas assistencialistas resultantes, aliado à demanda internacional por “algodão orgânico”, que nasceu a idéia de uma cadeia produtiva do algodão agroecológico, um produto que, do começo ao fim, fosse desenvolvido de forma solidária, valorizando tanto o trabalho como a qualidade e a sustentabilidade ambiental. 

O ponta-pé inicial foi a produção das bolsas para o Fórum Social Mundial de 2005, quando os empreendimentos da confecção desafiaram-se e adquiriram tecido de uma cooperativa de tecelagem, que, por sua vez, comprou o fio de outra cooperativa de fiação, fazendo, assim, acontecer uma outra Economia: as bolsas foram confeccionadas pela Cadeia Produtiva Solidária do Algodão, que, então, ainda não era o ecológico. Desde este início em 2004, o processo vem dando passos importantes. A criação da marca JUSTA TRAMA em 2005 e a criação da Central JUSTA TRAMA em 2007 são alguns deles. 

São cerca de 700 trabalhadores em cinco estados do Brasil, homens e mulheres, agricultores, coletores de sementes, fiadoras, tecedores e costureiras. Os empreendimentos destes trabalhadores e trabalhadoras cobrem todos os elos da indústria têxtil - do plantio do algodão à roupa e quem está na produção da roupa JUSTA TRAMA é também o proprietário da marca. 

A produção se dá em cinco etapas. A primeira é a do algodão agroecológico, em 9 municípios do Estado do Ceará, onde agricultores familiares associados plantam, beneficiam e comercializam o algodão em pluma para o resto da cadeia. As duas etapas seguintes acontecem em São Paulo. O algodão é enviado para a Cooperativa Nova Esperança – CONES, em Nova Odessa, que produz do fio de algodão e depois, na terceira etapa, o fio vai para o município de Santo André, onde a STILUS COOP transforma o fio em malha. 

A quarta etapa, a confecção das roupas, é feitas por duas cooperativas do Sul do país. A Cooperativa de Costureiras UNIVENS, de Porto Alegre/RS, e COOPERATIVA FIO NOBRE, de Itajaí/SC. E a quinta etapa, extração das sementes para serem aplicadas nas peças de vestuário em forma de bordados, botões e outros acessórios, é realizada pela Cooperativa Açaí, que fica em Porto Velho, Rondônia. 
O modelo produtivo em que não se prejudica a natureza e onde os maiores beneficiários são aqueles que atuam direta ou indiretamente com o algodão, contribui com a fixação do homem no campo e a geração de trabalho e renda digna e estável no meio rural. Com o beneficiamento do caroço do algodão compõe-se ainda um conjunto de estratégias de sobrevivência de grande importância social e econômica para a região. 
A produção está em vias de obter a certificação, o que deverá incentivar o comércio internacional. As vendas diretas das peças vêm ocorrendo através de eventos e feiras de Economia Solidária e, de modo especial, por telefone e pelo site. A marca JUSTA TRAMA é cada dia mais demandada e cresce respeitando, sempre, o planeta e o bem-estar de quem planta. A solidariedade vai do primeiro ao último elo da cadeia produtiva: nós, os consumidores. 

Aproveite para conhecer os produtos. Visite JustaTrama 
O Instituto Ecotece adaptou para o português, o vídeo Fibra 
Ética: Algodão Orgânico, que pode ser acessado no http://www.ecotece.org.br/conteudo.php?i=20 

AtibaiaNews
 

 

Encontro de Jornalismo ambiental debate a Mata Atlântica neste final de semana

Neste sábado (25 de abril), o Núcleo de Jornalismo Ambiental Santos e Região (NJA) realiza o 2º Encontro de Jornalismo Ambiental da Costa da Mata Atlântica, em comemoração a um ano de existência do NJA. Este ano o tema será “Mata Atlântica: conhecer para conservar”. Além de debates sobre o Bioma, o encontro contará com uma mostra de produtos de organizações não-governamentais feitos a partir de materiais recicláveis. O evento é gratuito e acontecerá no Senac Santos a partir das 13 horas. É necessário se inscrever antecipadamente. Para mais informações ou para se inscrever no evento ligue para (13) 3219-2546 ou escreva para mailto: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. Fonte: mailto: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
 
Página 1 de 5
Banner
Desafios do trabalho em rede
Vivianne Amaral, facilitadora é ex-secretaria executiva da Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA) gerente do projeto Tecendo Cidadania/FNMA (rebea@uol.com.br)
Leia mais...

Campanhas REPEA

VI Fórum de EA


REPEA no GoogleMaps