29/05/2009 - 23h05
Semana Nacional dos Alimentos Orgânicos
Nesta quinta-feira (28), a boa notícia do evento verde é a assinatura de Instrução Normativa, que irá regulamentar o setor em três áreas: mecanismos de controle (certificação), processamento de produtos orgânicos e extrativismo. Segundo Marcelo Laurino - que preside a Comissão da Produção Orgânica de São Paulo e integra o MAPA – a medida viabiliza o acompanhamento da produção e do consumo de orgânicos. Através do Sisorg (Sistema de Avaliação de Conformidade Orgânica) será possível cadastrar agricultores, produtores e atividades produtivas. “A partir desse monitoramento poderemos mensurar o tamanho do segmento e as perspectivas para toda a cadeia produtiva”, explica Laurino.
A lei que trata da produção de orgânicos no Brasil foi publicada em 2003. Somente em 2007, os produtos passaram a ter regra de produção, armazenamento, rotulagem, transporte, certificação, comercialização e fiscalização de produtos. E em 2008 começaram a ser publicadas as Instruções Normativas para assuntos específicos como Comissão Nacional de Produção Orgânica e a Regulamentação dos Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal. É o caso da que foi aprovada hoje.
Para facilitar a vida dos consumidores, ao identificar um produto de qualidade, será lançado no primeiro semestre de 2010, o Selo do Sistema Brasileiro de Conformidade Orgânica. Para usá-lo, os produtores deverão se regularizar no Ministério da Agricultura, até o dia 28 de dezembro de 2009. Para os agricultores familiares serão fornecidas carteiras de identificação e cada um será responsável por verificar a qualidade dos alimentos orgânicos vendidos pelos “companheiros” em feiras e centrais de abastecimento.
“A proposta da Semana dos Orgânicos é mostrar o significado mais amplo do consumo, que pode mudar o mundo. Concentramos energias para esclarecer a população”, afirma Laurino. Sete anos depois de a legislação normatizar a produção orgânica, é possível comprovar a mudança de hábito no comportamento do consumidor, nas políticas públicas e corporativas. O supermercado Wal-Mart, por exemplo, será parceiro em uma campanha publicitária pela redução do consumo de sacolas plásticas no país. Com o slogan “O saco é um saco”, a propaganda estréia em junho e é a primeira vez que o Ministério se associa ao setor privado neste tipo de ação.
A repercussão na mídia de temas como preservação do meio ambiente, aquecimento global e sustentabilidade impulsionou o debate na sociedade, no governo e setor privado. Além do Wal-Mart, as redes Pão de Açúcar e Carrefour, que compõe os três maiores varejistas de supermercado do país, lideram as chamadas ações ecoeficientes. Entre as iniciativas estão sacolas retornáveis, reciclagem de lixo, maior exposição de produtos orgânicos e de artesãos, e a criação de linhas próprias. Há também projetos pilotos de lojas verdes, que poderão se espalhar pelo país nos próximos cinco anos. O diferencial é a tecnologia na construção como redução de consumo de água e energia, por exemplo. A comunicação também ganha novo enfoque com caráter educacional.
Apenas na loja ecoeficiente do Wal-Mart, no bairro do Morumbi, em São Paulo, há 60 iniciativas consideradas sustentável, segundo a gerente de sustentabilidade Christiane Urioste. Outra estratégia dos varejistas é aumentar a oferta de produtos orgânicos, que encarece o preço final. O Pão de Açúcar, por exemplo, incentiva os fornecedores a melhorar a qualidade e eficiência dos processos. E o Carrefour irá lançar uma programação com fórum de consumo consciente, em parceria com o Instituto Akatu, na loja de Piracicaba (SP).
No Rio de Janeiro, há cerca de 20 anos, o Sítio do Moinho, localizado em Itaipava, região serrana do Rio de Janeiro, produz e fornece alimentos orgânicos para restaurantes, lojas e delicatessens, além de atuar com entrega em domicílio. A proprietária Ângela Thompson conta que o consumidor carioca vem aderindo gradativamente aos produtos orgânicos, motivados pela saúde e bem estar. “Hoje nossa marca é reconhecida como sinônimo de orgânico e tem credibilidade”, diz Ângela.
O foco do sítio é entrega em domicílio e apenas este mês de maio, já atendeu, aproximadamente, 357 consumidores orgânicos no Rio de Janeiro. Já os restaurantes da cidade somam, em média, 40, que utilizam os produtos do Sítio do Moinho. Desde 2004, a empresa inaugurou a panificadora orgânica Molino d´Oro, que fabrica pães italianos, pães de forma, integral, sem glúten e baguetes semi-assados.
Em dezembro, a empresa inaugurou sua primeira loja, no Bairro do Leblon. E se aproximou ainda mais dos cariocas. Além da linha completa de produtos, a casa oferece almoço e café da manhã. “Percebemos que o cliente também se interessa em comprar direto na loja”, comenta Ângela, que oferece cartilhas e material educativa para instruir os consumidores.
Nesta quinta-feira, em comemoração à Semana dos Orgânicos, o sítio recebeu mais de 57 crianças da escola municipal Darci Correa da Veiga, em Itaipava. As crianças receberam aula sobre alimentação orgânica, plantaram sementes e, ainda, levaram muda de manjericão para plantar em casa. De acordo com a proprietária, o preço ainda é o maior entrave para o aumento no consumo. Por isso, é necessário políticas públicas eficientes para otimizar a distribuição e reduzir o custo para o consumidor final. As Instruções Normativas visão conectar toda a cadeia produtiva.
Até o dia 31 de maio, 24 estados terão programação especial para fomentar o consumo de alimentos orgânicos. Entretanto, é preciso democratizar o acesso e valorizar os produtores locais de cada região para que o ciclo terra-prato promova qualidade de vida, as economias locais, além de exaltar a diversidade alimentar.
Equipe Malagueta
Texto: Juliana Dias
Revisão: Juliana Esteves e Viviana Navarro
Fotos e edição de imagens: Carolina Amorim
(Malagueta Comunicação)





